sexta-feira, 14 de agosto de 2009

GESTAR: É PRECISO TEMPO. Por Jocelmo Costa Aires



Lendo os Cadernos de Teoria e Prática, os chamados TPs do Gestar, pude entender melhor a proposta do programa e imaginei as possibilidades de transformação que pode trazer. Na verdade, um mar de possibilidades... Vendo as atividades sugeridas na seção “Avançando na prática”, visualizei como cada professor as realizaria com seus alunos, sonhei estes produzindo zilhões de textos e... Ufa! Quanta empolgação! É... mas para que sonhos se realizem existem barreiras grandes. Fazer funcionar um programa no nível do Gestar exige muito de nós.

Quando começaram as inscrições ficamos felizes com a adesão dos professores. Eram tantos que ia faltar material. Nas primeiras oficinas vimos que alguns inscritos não estavam presentes: lá se vai um pouco da nossa empolgação, afinal, quando não se tem uma turma grande, fica a impressão de que o programa não interessou, sei lá. Nas oficinas seguintes, na hora da discussão dos pontos mais importantes do TP: “Não li”, “não tive tempo”, “Não li todo”, “Não consegui ler”, diziam alguns cursistas. Sentimento naquele instante: frustração. “Tudo bem, vamos ao resumo do TP aqui no slide”, continuei. Explanação seguindo, percebi um fato curioso: uma cursista estava lá com seu filho de cinco anos de idade e este dormira sobre uma das carteiras e ela, apesar de ver o desconforto do filho, continuava a assistir à exposição do slide. Além disso, outro cursista com problemas de saúde ali permanecia apesar de tudo. Constatei naquela noite que a frustração que sentira antes não tinha razão de ser, porque não obstante todas as dificuldades, nosso cursista demonstra um interesse fora do comum. Todos têm uma carga de trabalho excessiva; ocupam-se além da sala de aula com outros projetos da escola, alguns, inclusive, trabalham em três escolas, sem falar nas preocupações de sua vida pessoal. Especificidades tristes da profissão de mestre. Com uma carga tão exaustiva, não se pode condená-los, por exemplo, por não terem resolvido todas as atividades do TP ou por não ter lido a última seção. Por outro lado, o Gestar não pode funcionar de qualquer jeito. Vem então o dilema de realizar o programa com qualidade e entender as dificuldades dos cursistas. Um desafio e tanto...

Por enquanto, para dar mais tempo ao cursista, estendemos até três o número de oficinas para o estudo de cada TP. Com esse período, facilita-se também a aplicação de atividades dos AAAs (os cadernos com Atividades de Apoio à Aprendizagem). É o conforto necessário à continuidade do programa. “Como são muitas as atividades e o tempo é curto, pensei em desistir”, contou a cursista Adélia, “mas tenho aprendido tanto que, enfrentarei sacrifícios para continuar no curso”, completou. Quando fiz a primeira visita ao Colégio Laura Estrela, a diretora Salete Monteiro comentou que percebeu já a aplicação de atividades diferenciadas nas salas de aulas. É com passagens assim que percebemos o quanto, apesar das dificuldades, o programa pode fazer. Vêem-se algumas luzes no fim do túnel! O Gestar vai aos poucos invadindo as salas de aula e transformando a maneira de ensinar Português e Matemática. As sementes começaram a ser plantadas, sigamos no caminho acreditando na nossa força interior e esperemos, pois, os resultados.

domingo, 28 de junho de 2009

COLEGAS E AMIGOS

Alexsandra, Fátima e Ísis: colegas que fazem a diferença na educação. Obrigado pelo carinho e amizade.

UMA FORMADORA ESPECIAL

Parabenizo e agradeço à Professora Elenita, pelo esforço, dedicação e brilhantismo com que ministra nossa formação. É pena que nosso estado não sabe receber profissionais tão especiais quando vocês da UNB. Pedimos desculpas por todo transtorno do encontro. Nenhum profissional merece aquele tratamento, se é que houve tratamento! Vamos confiar em Deus na busca de novos dias para nossa classe, a fim de termos, por conseguinte, novos dias para a educação de forma geral. Grande abraço, Elenita.

GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS: Diferentes formas de ver o texto.

Utilizando da metodologia usada no Pró-letramento, apresentei aos colegas formadores, no 2º encontro de formação em São Luis, uma atividade que leva os cursistas a refletirem sobre a diferença entre gênero e tipo textual. No caso em foco, 'brincamos' fazendo um programa de TV, no qual se entrevista uma personalidade: nesse caso o "Sr. Lápis", representado pela colega Zaira Carnaúba. O Sr. Lápis, responde as perguntas do estrevistador e também dos ' telespectadores' que podem 'telefonar' para o 'programa'. Após a entrevista, é feito um texto coletivo na lousa, no qual se pode identificar os tipos textuais usados. Igualmente, pode-se questionar os alunos sobre quais gêneros foram utilizados na técnica. Essa atividade é importante na identificação dos gêneros e dos tipos, bem assim da diferença entre os dois e, de quebra, ainda dá para se divertir muito!

PAPEL SOCIAL DA LINGUAGEM

As manchetes acima tratam do mesmo fato. Entretanto, há peculiaridades em cada uma que diferenciam a maneira de informar para influenciar o leitor. Observa-se que há uma relação unilateral de cada instituição jornalística com quem está por trás da notícia: uma relação intimista mesmo que defende e ataca de acordo com seus interesses. O jornal 1 usa o verbo na voz a ativa e dá a polícia status de vilã no acontecimento. Essa intenção é percebida no tempo em que não se usou a palavra 'policial' em substituição à polícia. Ao que parece, trata-se de tentativa de denegrir a imagem da polícia. A palavra 'trabalhador' é usada no intuito de ampliar o sentido de vítima de quem foi morto. O jornal pode ser, inclusive, partidário de um sindicato dos servidores que lá faziam greve. Aliás, a palavra 'greve' não é mencionada, já que, de certa forma, traz uma carga semântica de tom pejorativo, o que poderia impedir a persuasão do leitor em 'ficar do lado do vitimado'. O jornal 2, ao contrário, usa o verbo (subetendido) na voz passiva, pretendendo demonstrar que ninguém é culpado se outrem 'foi morto'; aparece a palavra 'grevista' que, em sentido amplo, tem sentido pejorativo, como já disse. É como se fosse tudo certo se um grevista morrer, já que grevista é 'arruaceiro' mesmo. Esse jornal, parece portanto, 'estar do lado' da polícia, pois na ocorrência sequer a mencionam. Em suma, infere-se que a língua pode ser usada para persuadir ou dissuadir em benefício de quem melhor a conheça. A informação, portanto, pode ser 'maquilada', demonstrando que podemos dominar e ser dominados através do poderoso instrumento do qual dispomos todos os dias: a linguagem.

sábado, 13 de junho de 2009

UM DOS MITOS QUE CERCA O ATO DE ESCREVER



Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se adquire com algumas dicas. Há, por exemplo quem acredite que, numa única aula de cursinho isso possa ser possível. Aprender a escrever não é um processo que começa, se constrói e termina na escola, apesar de nesse ambiente haver um sistema organizado para o trabalho com a escrita. O aprendizado desse processo decorre principalmente das ações sociocomunicativas praticadas em ambientes extraescolares, nos quais se adquire, portanto, a experiência discursiva necessária.
(Por Jocelmo Aires)

Reflexão sobre o locus do formador e do cursista


Considerado um dos estados mais pobres do Brasil, o Maranhão carrega consigo marcas negativas a respeito de qualidade de educação. Apresenta graves problemas que se evidenciam nos índices de repetência, evasão escolar e fracasso no ensino de Português e Matemática. Por força histórica, falando-se em Língua Portuguesa, foi “condecorado” com o título de “O estado onde melhor se fala o português”, fato ao qual não vou me ater, face a complexidade de estudo. Apesar de amargar nos últimos lugares nos rankings, o Maranhão tem investido fortemente na melhoria da qualidade do Ensino, principalmente no Fundamental, melhoria essa que se avaliará em médio prazo, haja vista que tais investimentos têm-se concentrado nas séries iniciais.

Santa Luzia do Paruá, município a 400 Km da capital, São Luis, População em torno de 25 mil habitantes. Com aproximadamente 150 escolas, disponibiliza as modalidade de ensino da Educação Infantil até o Ensino Médio, além de outras diferenciadas como EJA e PETI. Na área de Língua Portuguesa conta com 25 professores, sendo 20 formados em Letras e Pedagogia. O trabalho com a disciplina tem alcançado nos últimos anos expressivas mudanças no ensino, principalmente no que tange à metodologia. Programas voltados à formação continuada de professores, como o PRÓ-LETRAMENTO, PROAE, ESCOLA ATIVA, BRASIL ALFABETIZADO são as intervenções mais recentes no âmbito da educação municipal. O maior desafio destes programas é fazer com que os professores encampem por outros rumos no sentido de transformar o ensino tradicional do Português, baseado exclusivamente nas regras gramaticais e análise sintática, em processo que possibilite ao aluno a promoção de sua capacidade sociocomunicativa, o que já se tem notado nos últimos anos.

domingo, 31 de maio de 2009

O PRIMEIRO LIVRO QUE LI.

MEMORIAL

Minha mãe me conta que entrei na escola com apenas dois anos de vida. Com essa idade, é difícil lembrar-se dos primeiros contatos com a escola. No entanto, recordo-me que no Jardim de Infância a escola para mim era um lugar mágico, aonde a gente ia para aprender as letras. Lembro da sensação que tinha ao me arrumar para ir às aulas, do uniforme, do pátio, da merenda. Era tudo muito fascinante. Minha professora não tinha formação específica e nos ensinava através do método que chamamos hoje de silábico. Lembro-me da sua linda “letra” no quadro. Queria escrever daquele jeito. Acredito que a concepção de leitura da professora era aquele em que ler era apenas descobrir que palavra estava escrita. Aliás, esse era o conceito predominante na época, porque minha mãe me ajudava com as tarefas assim, me incentivando a decodificar as palavras. A compreensão dos textos, definitivamente, não estava nos planos. Recordo-me da cartilha enorme de capa vermelha, na qual estavam desenhadas três crianças segurando balões. Em cada balão tinha uma letra e formavam a sequência ABC. Além dessa cartilha, tive contato com a famosa “carta de ABC”, uma espécie de cartilha, que prometia ensinar a leitura em pouco tempo. Os livros aos quais tive acesso nos primeiros anos escolares eram apenas os didáticos: “Novo Nordeste” e “Terra e Gente” eram os nomes de uns de que me lembro. Ler, naquele tempo, era saber o que estava escrito. Nossa professora pedia que a gente fosse à frente da sala e ler “as lições”. Ela fazia interferências durante as leituras de cada um, corrigindo palavras, entonação, pontuação. Isso me dava medo! Em contrapartida, nossa “tia” da escola nos divertia muito com algumas brincadeiras e músicas infantis. Nesses momentos me sentia muito feliz por estar na escola.

Na vizinhança de minha casa, havia uma moça que contava histórias para a criançada da rua. Eram histórias sobre sereias, princesas, reis. Na minha mente infantil, não eram apenas histórias. Cria veementemente nelas como se fossem acontecimentos reais. Lembro que torcia para tudo dar certo no final e ficava triste quando isso não acontecia. Minha mãe também contava mil histórias sobre as aventuras de meu avô na roça, dos bichos que ele enfrentava, dos lugares aonde ia, até do sofrimento que foi sua vida na roça. Ela também lia sobre as histórias bíblicas, as quais me encantavam e algumas até me assustavam, as do Apocalipse, por exemplo. Tinha um amigo que possuía muitas revistas em quadrinhos da “Turma da Mônica”. Eu adorava essas revistinhas e me deleitava na leitura delas. Acredito que meu gosto pela leitura partiu dessas histórias todas e também do incentivo do meu pai que me presenteava com dicionários. Ele sempre falava da importância de estudar. Ainda na infância, lembro do primeiro livro não-didático que li: “Lúcia Já-Vou-Indo”, de Maria Heloísa Penteado. Era a história de uma pequena lesma que demorava muito para fazer as coisas (Sendo lesma, não podia ser diferente!). Nesse livro adorei as ilustrações. O desenho da personagem principal, que tinha anteninhas acima dos cachos de seu cabelo, era fascinante. Gostei muito da parte em que Lúcia foi convidada a um casamento e, quando lá chegou, o casal já tinha filhos. Foi hilário!

No Ensino Fundamental não recordo de aulas em que se valorizasse a leitura e que fosse vista como um ato de prazer. Não havia biblioteca e os professores não liam outros livros aos alunos que não fossem os didáticos. As aulas de Português se resumiam ao trabalho artificial de ensino da Gramática. Tudo descontextualizado. Fazer análise sintática, por exemplo, era um terror. Até entendermos tudo... Por outro lado, havia um livro de Língua Portuguesa, da 5ª série, acho, cujo título era “Reflexão & Ação”, sua autora era Marilda Prates, lembro bem, no qual havia textos que me chamavam a atenção. Lembro de alguns: “As muitas mães de Ariel”, “O Reizinho Mandão” e “Bena, Bena, valeu a pena?”, todos com ilustrações bem coloridas e temas interessantes.

No Ensino Médio e Faculdade tudo foi ficando cada vez mais “seco” com relação à leitura. Tudo passou a ser muito científico e os professores mais preocupados na fixação de conteúdos. Mas, em tudo havia um lado bom. No Médio, lembro que até aquele período da minha vida escolar eu não gostava de Inglês, contudo, ao chegar um professor de nome “Júnior” – diziam que ele era de São Paulo – comecei a ver aquela disciplina de forma diferente. Ele escreveu uma letra de música no quadro e começou a cantar. Era a Música “What a wonderful world”, de Louis Armostrong. Lembro da sensação de querer saber cantar em inglês e entender o que se estava pronunciando. Aquele dia foi marcante; acredito inclusive que hoje sou professor por conta daquela aula. Na faculdade, acreditei que iria encontrar resposta para muitas indagações, mas isso não aconteceu de forma plena (nem poderia), pelo contrário, saí de lá com muitas dúvidas! Nesse tempo, detestava as aulas de Literatura. Os professores “prescreviam” a leitura dos Clássicos e, para mim, era muito difícil ler histórias que foram escritas há mais cem anos. Aquela linguagem, aquela quantidade de palavras arcaicas, aquele rebuscamento... Tudo era um sacrifício... Uma obrigação a se cumprir para se receber as notas da cadeira. Felizmente, uma professora chegou e mudou toda minha forma de pensar em relação aos livros de autores na linha temporal do temido Machado de Assis. “Edna” é seu nome. Cada início de sua aula, ela lia um trecho de um autor clássico que, ao meu sentir, não era uma simples leitura: era um “mergulho” na própria história! Sua entonação, seus gestos, seus olhos brilhando ao sabor do delinear de frases me faziam querer saber da próxima página, do próximo capítulo, do final. Nesse momento, quando ela percebia nossa curiosidade, fechava o livro e dizia: “Amanhã tem mais!”

Hoje, não leio tanto quanto gostaria, mas graças aos fatos positivos que mencionei, sei da importância da leitura. Não me aborrecem mais o Machado de Assis nem José de Alencar, nem Eça de Queiroz, para não citar outros. Tenho lido principalmente os textos científicos relacionados aos programas de formação de professores, dos quais faço parte: o Pró-letramento e o Gestar II. Tenho me atido também aos livros de Paulo Coelho, autor famoso no mundo, mas criticado no Brasil. Gosto dos temas místicos que abordam e, principalmente dos ensinamentos para vida neles contidos.

quarta-feira, 18 de março de 2009

A VOLTA DE UM PROFESSOR DO SÉCULO XVIII


Teixeira era um grande professor do século XVIII, passa ao século XXI e, chegando a sua cidade, ficou abismado com o que viu: as casas eram altíssimas e cheias de janelas, as ruas eram pretas e passavam umas sobre as outras, com uma infinidade de máquinas andando em alta velocidade; o povo falava muitas palavras que o professor Teixeira não conhecia: Poluição, telefone, avião, rádio, metrô, cinema, televisão, computador, celular, internet, MP3, Ipod, TV de Plasma, etc...

As roupas que vestiam deixavam o professor Teixeira ruborizado. Tudo havia mudado! Muito surpreso e preocupado, o professor Teixeira visitou a cidade toda e compreendia cada vez menos o modo de vida daquela gente moderna.

Resolveu então visitar uma Igreja, e que susto levou! O padre rezava a missa não em latim, mas em português e de costas para o altar; o órgão estava mudo e um grupo de cabeludos tocava nas guitarras uma música estranha, em vez do canto gregoriano.

O desespero do professor aumentava. Visitou algumas famílias. Mas... O que significa aquilo? Antes, durante e depois do jantar, todos adoravam um objeto esquisito que mostrava imagens e emitia sons. Ele ficou impressionado com tanta capacidade de concentração e de adoração! Ninguém proferia uma palavra diante do objeto.

Tudo havia mudado completamente, e ele não reconhecia nada, até que resolveu visitar uma escola. Foi uma idéia sensacional porque, quando lá chegou, encontrou o que procurava: tudo continuava da mesma forma como ele havia conhecido – as carteiras enfileiradas umas atrás da outra, o professor lá na frente falando, falando, falando, e os alunos escutando, escutando, escutando,...

(AUTOR DESCONHECIDO)